Thom Yorke - Suspiria

Thom Yorke - Suspiria

Por: Lucas Gabriel

O Suspiria, álbum/trilha que Thom Yorke criou para o filme de 2018 de Luca Guadagnino, mostrou como o genial frontman do Radiohead evoluiu musicalmente no decorrer dos anos, e como ele consegue ser, de forma inteligente, flexível para diferentes propósitos musicais, seja para um lado mais melódico com o Radiohead, experimental com seu projeto paralelo Atoms For Peace, ou num âmbito mais eletrônico em seus trabalhos solos como nos álbuns Tomorrow's Modern Boxes (2014) e Anima (2019). Contudo, no Suspiria tivemos a oportunidade de conhecer um campo mais amplo de Thom Yorke, com arquiteturas sonoras bases que servem como trilha sonora de cinema, mas que trazem sua essência única responsável por criar ambientações que nos absorvem.

O disco oficial da trilha é dividido em duas partes, com 14 faixas no disco 01 e 11 faixas no disco 02. Enquanto no primeiro disco há músicas com andamentos melódicos que carregam os vocais lindos de Thom Yorke - como Suspirium, Has Ended, Open Again e Unmade -, no segundo há mais temas instrumentais, onde, quando o vocal aparece, vem em forma de textura e carregado de modulações, como nas The Universe Is Indifferent, The Blance of Things e Suspirium Finale.

Algo que me encantou em Suspiria é a forma como o piano corre solto com suas belas melodias, onde Thom realiza movimentos de arpejos nas duas mãos ao mesmo tempo - como nas Unmade e Suspirium, e mesmo que seja um detalhe pequeno, já é algo que não víamos ele fazer tanto nos seus outros projetos. Provavelmente para trazer um aspecto mais de "trilha sonora" ele tenha buscado novas perspectivas para o seu piano, com um movimento mais dinâmico no objetivo de acompanhar as bases orquestrais criadas por Hugh Brunt, regente que foi responsável também pelas partes sinfônicas do álbum Moon Shaped Pool do Radiohead e dos trabalhos solos de Jonny Greenwood.

As faixas instrumentais alternam entre o experimentalismo raiz de Thom Yorke com elementos sintetizados e desconexos - como em Synthesize Speaks, An Audition e A Soft Hand Across You Face - a algo ambiente melancólico como The Hooks, Volk, Klemperer Walks e The Jumps. Mas, sem dúvida, o grande destaque fica pelas construções sinfônicas que levam a voz de Thom junto, as quais nos fazem flutuar sobre camadas densas de emoções e sonhos profundos, como em Unmade e Supirium Finale.

O Suspiria é mais um dos incríveis trabalhos de Thom Yorke, porém, desta vez, podemos absorver algo diferente do genial artista, com uma perspectiva mais ampla em relação a instrumentos, arquitetura musical e ambientação sonora.

  • Músicas principais: Suspirium, Open Again, Unmade
  • Músicas favoritas: Has Ended, Open Again, Volk

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